Inflamações, digestão lenta ou falta de nutrientes? Talvez a solução esteja crescendo no seu jardim.
Você provavelmente já passou por ele em um terreno baldio ou arrancou da sua horta, descartando‑o como mais uma erva daninha teimosa. Aquela planta espinhosa com pontas afiadas — o amaranto espinhoso (Amaranthus spinosus) — muitas vezes não chama atenção nos países ocidentais. Porém, em várias regiões da Ásia, África e América do Sul, ele é consumido há gerações como um vegetal nutritivo e usado em remédios tradicionais para desconforto digestivo e inflamação. O ponto aqui é que, apesar de ter um perfil nutricional interessante, seu uso inadequado pode levar a efeitos indesejados, como desconforto no estômago ou impacto nos rins. A boa notícia? Com informação correta, você pode descobrir como aproveitar seu potencial de forma segura — e nas próximas seções isso ficará claro para você.

O que É o Amaranto Espinhoso?
O amaranto espinhoso (Amaranthus spinosus) pertence à família Amaranthaceae, a mesma de beterraba e quinoa. É uma planta herbácea anual que cresce em climas quentes, aparecendo muitas vezes em solos perturbados, beiras de estrada e terrenos vagos.
O que o torna inconfundível são os espinhos rígidos nas junções dos caules e folhas, folhas ovais verdes e flores agrupadas em espigas. Em algumas regiões, as folhas jovens e talos são colhidos e consumidos como um vegetal folhoso, semelhante ao espinafre.
Seu uso tradicional inclui chás para aliviar problemas digestivos e emplastros para inflamações leves, e estudos preliminares mostram que a planta possui um rico conteúdo de nutrientes, embora pesquisas em humanos ainda sejam limitadas.
Benefícios Potenciais
1. Pode Ajudar o Sistema Digestivo
Em muitas culturas, infusões das folhas são usadas para aliviar constipação ocasional ou sensação de inchaço. A fibra presente nas folhas pode favorecer movimentos intestinais regulares. Estudos com animais sugerem efeitos moduladores no intestino, possivelmente relaxando músculos intestinais, mas, até agora, a evidência direta em humanos ainda é principalmente anedótica.
2. Possível Ação Anti‑inflamatória
Extratos da planta demonstraram atividade anti‑inflamatória em testes de laboratório, atuando em vias semelhantes às de alguns analgésicos naturais. Aplicações tradicionais incluem alívio de desconforto estomacal ou urinário. Pesquisas com extratos de folhas mostraram redução de inchaço em modelos animais, alinhando‑se ao uso histórico, embora mais estudos clínicos sejam necessários.
3. Fonte Nutricional Interessante
Semelhante a outros amarantos, suas folhas jovens são ricas em nutrientes:
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Vitamina C, que apoia o sistema imunológico
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Vitamina A, importante para olhos e pele
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Minerais como ferro, cálcio e magnésio
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Fibra dietética
Análises de espécies de amaranto selvagem mostram níveis impressionantes de proteína, fibras e antioxidantes naturais, tornando‑o uma adição nutritiva quando bem preparado.
4. Compostos Antioxidantes
O amaranto contém fenóis e flavonoides, compostos que ajudam a combater o estresse oxidativo em condições de laboratório, o que pode contribuir para o bem‑estar geral.
Riscos Importantes e Efeitos Colaterais
Alto Conteúdo de Oxalatos
Semelhante ao espinafre e à beterraba, o amaranto contém oxalatos, substâncias que podem se ligar a minerais e, em pessoas suscetíveis, contribuir para a formação de pedras nos rins. Consumir cru pode amplificar esse risco.
Irritação Digestiva
Folhas cruas podem causar náuseas, dor ou diarreia devido a compostos que irritam o trato gastrointestinal. Até mesmo chás em excesso foram relatados anedoticamente como desconfortáveis.
Outras Precauções
Uso excessivo pode, em casos raros, representar sobrecarga ao fígado ou rins, especialmente em pessoas com condições preexistentes. Por isso, moderação e preparo adequado são essenciais.
Como Usar com Segurança
Se você quer experimentar o amaranto espinhoso, aqui vão passos práticos:
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Colha partes jovens: escolha folhas e talos tenros — partes mais velhas têm espinhos mais duros e compostos concentrados; remova espinhos com cuidado.
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Cozinhe bem: cozinhar (ferver ou refogar) por 10–15 minutos reduz significativamente oxalatos. Descarte a água do cozimento.
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Comece com pouco: porções pequenas, como meia xícara de folhas cozidas algumas vezes por semana, evitam acúmulo excessivo de compostos.
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Ideias de preparo: refogue com alho e cebola, adicione a sopas ou ensopados, ou misture as folhas bem cozidas em vitaminas.
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Consulte um profissional: especialmente se estiver grávida, amamentando ou com condições de saúde.
Conclusão
O amaranto espinhoso transita entre erva daninha e planta útil. Seu uso tradicional para apoiar a digestão, inflamação leve e nutrição é intrigante, com pesquisas emergentes fortalecendo algumas dessas aplicações. No entanto, equilíbrio e preparo consciente são fundamentais para evitar riscos.
Com cozimento adequado, uso moderado e orientação profissional quando necessário, você pode explorar seus benefícios com segurança.