Não ignore estes sintomas silenciosos do cancro da nasofaringe.
O cancro da nasofaringe é uma doença grave que pode ameaçar diretamente a vida. Reconhecer precocemente os seus sinais é um fator decisivo para aumentar as hipóteses de sucesso do tratamento e melhorar a taxa de sobrevivência dos doentes. Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as possibilidades de controlo e recuperação. A seguir, apresentamos informações detalhadas sobre os principais sinais do cancro da nasofaringe e como agir perante uma suspeita.

1. O que é o cancro da nasofaringe?
A garganta localiza-se na região da cabeça e do pescoço e tem a forma de um tubo que começa atrás do nariz e termina na laringe. Os alimentos passam pela garganta antes de chegarem ao estômago, e o ar destinado aos pulmões também percorre esta via.
A garganta divide-se em três partes: nasofaringe, orofaringe e hipofaringe. A nasofaringe situa-se atrás do nariz; a orofaringe encontra-se logo abaixo; e a hipofaringe está posicionada por baixo da orofaringe, atrás da laringe.
O cancro da nasofaringe desenvolve-se precisamente na região localizada atrás do nariz. Os tipos mais comuns de células cancerígenas associados a esta doença incluem o carcinoma espinocelular não queratinizante, o carcinoma espinocelular basaloide e o carcinoma espinocelular queratinizante, sendo o não queratinizante o mais frequente.
2. Sinais do cancro da nasofaringe a reconhecer
2.1. Sinais gerais
Dificuldade em engolir: frequentemente um dos primeiros sinais. O doente pode sentir desconforto ou dor ao engolir devido à pressão exercida pelo tumor.
Dificuldade em respirar: sensação de aperto no peito ou falta de ar, causada pela obstrução parcial das vias respiratórias.
Rouquidão persistente: uma alteração prolongada da voz sem causa aparente pode indicar que o tumor está a afetar as cordas vocais.
Dor de ouvido: dor unilateral ou bilateral sem sinais de infeção pode resultar da pressão do tumor sobre os nervos ligados ao ouvido.
Sangramento nasal: episódios frequentes de hemorragia nasal sem motivo evidente podem ter origem na nasofaringe.
Gânglios linfáticos inchados: o aumento dos gânglios no pescoço pode ocorrer quando as células cancerígenas se disseminam.
Perda de peso inexplicada: a perda rápida de peso sem alteração alimentar ou de estilo de vida é um sinal comum em vários tipos de cancro.
2.2. Sinais de acordo com os estágios
2.2.1. Estágio inicial
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Dores de cabeça: dor persistente, surda ou pulsátil, muitas vezes confundida com problemas neurológicos ou vasculares.
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Zumbido no ouvido: ocorre quando o tumor bloqueia a trompa de Eustáquio, causando sensação de apito ou ruído.
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Nariz entupido: geralmente começa num lado e pode evoluir para ambos, por vezes acompanhado de sangramento.
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Gânglios no pescoço: sobretudo perto do ângulo da mandíbula, firmes e indolores.
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Alterações na voz: quando o tumor interfere com as cordas vocais.
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Dor de garganta e dificuldade em engolir: podendo vir acompanhadas de tosse ou expetoração com sangue.
2.2.2. Estágio avançado
Nesta fase, os sintomas tornam-se mais evidentes e intensos:
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Perda de audição ou surdez, com agravamento do zumbido
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Dores de cabeça fortes e persistentes
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Sangramento nasal frequente e obstrução nasal severa
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Tosse com sangue
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Falta de resposta aos tratamentos habituais
3. O que fazer em caso de suspeita?
Os sinais iniciais do cancro da nasofaringe podem assemelhar-se a doenças respiratórias comuns, o que leva muitas pessoas a ignorá-los. Por esse motivo, muitos doentes só procuram ajuda médica quando a doença já se encontra num estágio avançado, tornando o tratamento mais complexo e menos eficaz.
Quanto mais cedo o cancro da nasofaringe for diagnosticado, maiores são as probabilidades de sucesso terapêutico, menor o risco de mortalidade e melhor a qualidade e expectativa de vida. Sempre que surgirem sintomas persistentes na região do ouvido, nariz ou garganta que não melhoram com o tempo, é fundamental procurar um especialista para realizar exames adequados.
Reconhecer precocemente estes sinais pode salvar vidas, aumentar as chances de um tratamento bem-sucedido e reduzir o impacto físico, emocional e económico causado pela doença.